DO AMAZONAS PARA O MUNDO: TEATRO DO OPRIMIDO, PLURALIDADES IDENTITÁRIAS E ABOLICIONISMO CÊNICO
Palavras-chave:
Abolicionismo. Artes da cena. Cuidado. Justiça. Teatro político.Resumo
A pesquisa analisa a potência das práticas teatrais em instituições de privação de liberdade como estratégias de enfrentamento ao sistema punitivo e de formulação de sentidos ampliados de justiça. Investiga como a cena, ao ser orientada por metodologias participativas e estéticas de resistência, permite a emergência de narrativas que subvertem o silêncio imposto pelo cárcere. O estudo tem como objetivo compreender de que maneira projetos teatrais situados em territórios periféricos, especialmente na região amazônica, constroem pedagogias do cuidado e imaginários abolicionistas em diálogo com experiências de mulheres privadas de liberdade. A pesquisa adota abordagem qualitativa de base teórico-bibliográfica, ancorada na análise de práticas cênicas desenvolvidas em ambientes prisionais, articuladas a relatos sensíveis, materiais poéticos e experiências corporais compartilhadas no processo formativo. A investigação reconhece a cena como espaço de escuta, mediação e reconfiguração simbólica, capaz de promover deslocamentos nas noções convencionais de justiça e reparação. O trabalho constata que o teatro, ao ativar dimensões éticas e coletivas da criação, contribui para a construção de vínculos, deslocamento de estigmas e reencantamento do sensível. Conclui-se, de forma preliminar, que as práticas cênicas não apenas denunciam as violências estruturais da prisão, mas também instauram modos de existir que escapam à lógica do castigo. A arte, nesse contexto, não atua como ferramenta de correção, mas como dispositivo de transformação subjetiva e política, capaz de ampliar as fronteiras do possível e criar formas de justiça que prescindem do encarceramento.
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